CIRURGIA DE INVASÃO MÍNIMA

 

EVOLUÇÃO

 

   Em Cirurgia Geral, a era da Invasão Mínima consagrou-se com os trabalhos realizados em relação à Colecistectomia.
   Até 1973, a operação para a retirada da vesícula biliar era realizada por meio de incisões de grande extensão na parede abdominal, como a demonstrada na figura abaixo.

   Tais incisões, pelo seu tamanho, provocavam um trauma considerável à parede abdominal e eram responsáveis por um período pós-operatório desconfortável e arrastado, não raro acompanhado de complicações. Também afastavam o paciente de suas atividades normais em geral por 30 ou mais dias.

 


 

  
Em 1973, Dubois e colaboradores iniciaram, na França, com a ajuda de requintes técnicos e a utilização de equipamento e instrumental apropriado, a retirar vesículas doentes com incisões abdominais que variavam de 3 a 6 cm de extensão.

  
Com a Colecistectomia por Minilaparotomia, como era chamada a operação, a recuperação pós-operatória passou a ser mais rápida e menos dolorosa e os índices de complicação voltados para a ferida operatória diminuíram, simplesmente porque as incisões eram menores. Os pacientes já passaram a poder reassumir suas atividades em 15 dias, em média, após a operação. Entretanto, um óbice do procedimento, em relação ao em que se utilizava  grandes incisões, era o acesso diminuto à cavidade abdominal, que impedia que todo o abdome fosse observado à procura de doenças concomitantes e também dificultava a realização de procedimentos associados, fossem eles necessários.

 


 

  
Em 1987, Philipe Mouret realizou na França a primeira Colecistectomia Videolaparoscópica, em que a vesícula passou a ser retirada da cavidade abdominal por meio de incisões divergentes no abdome, de 5 e de 10 mm.

  
Apesar do tamanho das incisões, no entanto, toda a cavidade abdominal passou a poder ser examinada durante a operação, com o uso de equipamentos e instrumentos muito sofisticados. Para realizar a operação de tal forma, os cirurgiões tiveram que passar por novo treinamento, pois a maneira de operar tornou-se diversa de tudo aquilo que se aprendera nas Escolas Médicas a partir de fins do século retrasado. Com seu emprego, entretanto, os pacientes passaram a receber alta no mesmo dia da operação, a ingerir dieta normal tão logo se recuperavam da anestesia e a reassumir suas atividades, em toda a sua plenitude, em 7 dias. As complicações da Colecistectomia, ligadas ao tamanho das incisões, diminuíram acentuadamente com o método videolaparoscópico. O efeito estético da operação, também, melhorou muito. A Colecistectomia por Videolaparoscopia rapidamente transformou-se no procedimento de escolha em todo o mundo para a retirada cirúrgica de vesículas biliares doentes.

 


 

   Quando todos pensavam que o máximo possível já tinha sido atingido em termos de invasão mínima do abdome para a realização de procedimentos cirúrgicos intra-abdominais, um grupo de cirurgiões, entre eles Michel Gagner, da Cleveland Clinic, nos E.U.A., passou a realizar, a partir de 1996, Colecistectomias Videolaparoscópicas com instrumentos muito delgados, que   necessitavam, para serem introduzidos no abdome, de incisões não maiores do que 2 mm de extensão. Todas as vantagens da Cirurgia Videolaparoscópica foram mantidas e acentuadas por causa da diminuição do trauma do acesso. Os procedimentos realizados com tal   instrumental delgado passaram a compor um novo capítulo da CIRURGIA no final do século passado, o da CIRURGIA AGULHASCÓPICA.

 

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